13 de jun de 2010

Poesia em uma Noite Fria



Só para me fazer compania.

Esperando a Lua cheia
os grilos se cortejam nos jardins,
Sapos ecoam, há rãs brejeiras,
sãs companheiras da noite,
enfim. A noite enfim.

Sempre que aguardo
aguça-me o faro soturno
- a boca da noite, o riso
da Lua, que procura
sua candura já posta,
percorrida distâncias
já, na madrugada.

Gosto de noite derramada,
sola o floema na calçada
de seus poemas atentos,
cadenciados, não ao acaso.
Não em vão. Sob o céu.

Soar o brilho extremo.

Solar sob o abismo.

Espera pelo Sol.

Profundo som que 
Arrisco, em uníssono
Com o sonho que assanha
A sanha, acalma a alma,
Repete a fórmula

Consagrada...



- Tau! -

5 de mai de 2010

54. Projeções


Zen Tarot Card

Numa sala de cinema, você olha para a tela, nunca para o fundo da sala - o projetor está no fundo. O filme de fato não está na tela: é apenas uma projeção de sombra e luz. O filme existe apenas lá atrás, mas você nunca olha naquela direção. E o projetor está lá. Sua mente está por trás da coisa toda: a mente é o projetor. Mas você fica sempre olhando para o outro, porque o outro é a tela. Quando você está apaixonado, a pessoa parece linda, incomparável. Quando você sente ódio, a mesma pessoa parece a mais feia de todas, e você nunca se questiona como pode a mesma pessoa ser a mais feia e a mais bonita... A única maneira, portanto, de se chegar à verdade, é aprender como enxergar diretamente, como deixar de lado a intermediação da mente. Essa interferência é o problema, porque a mente só é capaz de criar sonhos... Com a ajuda do seu entusiasmo, o sonho começa a parecer realidade. Quando o entusiasmo é demasiado, então você está intoxicado, não está na posse dos seus sentidos. Nessa condição, o que quer que você enxergue será apenas uma projeção sua. E existem tantos mundos quanto mentes, porque cada mente vive no seu próprio mundo.

Osho Hsin Hsin Ming: The Book of Nothing Chapter 7

Comentário:

O Homem e a mulher desta carta estão se olhando; contudo, não são capazes de se enxergar com nitidez. Cada qual está projetando uma imagem que construiu em sua mente, de maneira a encobrir o rosto verdadeiro da pessoa para quem está olhando.
Todos nós podemos cair na armadilha de projetar "filmes" de nossa própria autoria, sobre as situações e as pessoas à nossa volta. Isso acontece quando não estamos plenamente conscientes de nossas expectativas, desejos e julgamentos; em vez de assumir a responsabilidade por tais expectativas, desejos e julgamentos, e de reconhecê-los como nossos, tentamos atribuí-los aos outros.
Uma projeção pode ser diabólica ou divina, perturbadora ou confortadora, mas continua sendo uma projeção - uma nuvem que nos impede de ver a realidade como ela é. O único modo de escapar disso é entender como funciona o jogo. Quando você der com um julgamento se formando a respeito de outra pessoa, vire-o do avesso: aquilo que você está vendo no outro, na verdade, não pertence a você? A sua visão está límpida, ou obstruída pelo que você quer ver?

Osho Tarô

26 de abr de 2010

Primavera à Espera


Doce outono, que oferece repouso, conforto no colo do friozinho,
Eu me arrepio, é tão doce estar vivo... Amadurecer, tão lentamente,
E então perceber - somos simplesmente faísca nas malhas do tempo!
Não é que eu não me arrependo... Apenas acordei num sonho,

Num templo!

A pureza renasce não da castidade, mas do doar-se ao extremo...
A pureza é filha do anseio, do ventre consagrado, das vias de fato.
Ela se observa, tão etérea, tão concreta, a consciência está sempre

DESPERTA!


- Thaís Marino -


29 de mar de 2010

Anciana


Sob a luz me fiz nascer,
Deixando o casulo cósmico, voltei.
Refiz vestes e sonhos.
Busquei o amor e sonhei.
Amei e fui amada,
Desejei e fui desejada.
Voltei-me em vórtices contínuos
Transformei-me!
Pressenti a luz em mim,
Fecundei!
Pari as dores de ser.
Reparti cantos, danças e canções de ninar.
Embalei, contei histórias, falei da Deusa.
Da água, do fogo, do ar e da terra.
Arei, semeei e colhi.
Rompi barragens e deixei-me fluir.
Percebi minha serpente e minha águia.
Acalentei-as!
Percebi meus rios internos na cor de escarlate,
Abençoei-os!
Fertilizei meus sonhos,
Libertei minha liberdade, sem medos, sem bagagens.
Desbravei minha alma.
Busquei a luz!
Refiz mapas, tracei metas, divaguei em trilhas.
Fiz-me mulher!
Hoje, aquieto-me sob brumas.
Serenamente me entrego,
Num sopro ardente e de ardor lunático .
E ela, a Lua, arde em mim.
Vibra, sopra segredos envolventes.
Sinto-me estrela.
Sinto-me cúmplice do universo.
Bebo o vinho da noite em celebração.
Reparto o pão doando a vida.
E um dia, então, ela, a lua
Cobrirá meus negros cabelos de branca luz´.
E neste exato momento serei apenas um ponto,
Uma partícula a confundir-se com
Uma estrela no leito celeste.

- Graça Azevedo/ Senhora Telucama –
(Suma Sacerdotisa do Templo Casa Telucama)

23 de fev de 2010

20. KUAN - CONTEMPLAÇÃO (A VISTA)

Acima: SUN, A SUAVIDADE, VENTO. Abaixo: K´UN, O RECEPTIVO, TERRA.
Uma pequena variação de acento dá ao nome chinês desse hexagrama um duplo significado. Por um lado representa a contemplação, por outro o fato de ser contemplado, de ser um exemplo, um modelo. Essas idéias são sugeridas pelo fato de o hexagrama poder ser relacionado com a forma de um tipo de torre , muito freqüente na China antiga. Do alto dessas torres tinha-se uma ampla visão dos arredores e, por outro lado, quando situada no cume de uma montanha, a torre era vista de longe. Assim, o hexagrama mostra um dirigente que contempla, ao alto, a lei dos céus, e em baixo, os costumes do povo. Graças a seu bom governo, ele se torna um elevado exemplo e modelo para o povo. Este hexagrama está relacionado com o oitavo mês (setembro-outubro) 26. A força luminosa se retira e a escuridão está novamente em ascensão. Entretanto, esse aspecto não é relevante para a interpretação do hexagrama como um todo.
Julgamento: CONTEMPLAÇÃO. A ablução já foi realizada, mas ainda não a oferenda. Confiantes, eles erguem o olhar para ele. O ritual de sacrifício na China começava com uma ablução e uma libação, com que se invocava a divindade. Em seguida se oferecia o sacrifício. O lapso de tempo entre as duas cerimônias é o mais sagrado, o momento de suprema concentração interior. Quando a devoção é sincera, inspirada por uma fé verdadeira, sua contemplação tem um efeito transformador e inspira respeito naqueles que a presenciam. Na natureza também se observa um rigor sagrado e grave que se manifesta na regularidade com que se desenrolam todos os fenômenos. A contemplação do sentido divino subjacente à ocorrência de todos os fenômenos no universo dá, ao homem destinado a liderar os outros, meios para realizar efeitos semelhantes. Para isso é necessário a concentração interior que a contemplação religiosa desenvolve nos grandes homens, dotados de uma fé poderosa. Permite-lhes apreender as misteriosas e divinas leis da vida e, através da mais profunda concentração, chegarem a expressar essas leis em suas próprias pessoas. De sua contemplação emana um poder espiritual oculto que influência e domina os homens, sem que eles estejam conscientes de como isso ocorre.
Imagem: O vento sopra sobre a terra. A imagem da CONTEMPLAÇÃO.Assim os reis da antigüidade visitavam as regiões do mundo, contemplavam o povo e o instruíam. Quando o vento sopra sobre a terra, alcança todos os recantos e a grama inclina-se ante seu poder. Esses dois fatos encontram confirmação nesse hexagrama. As duas imagens simbolizam a forma de agir dos reis da antigüidade. Por um lado, graças a viagens regulares, eles observavam atentamente a vida de seu povo e nenhum costume em vigor lhes passava desapercebido. Com isso, exerciam, por outro lado, a influência necessária para mudar os hábitos inconvenientes. Tudo isso indica o poder de uma personalidade superior. Um tal homem será capaz de perceber os verdadeiros sentimentos da grande massa da humanidade e por isso não poderá ser enganado. Por outro lado, ele exercerá sua influência através da mera presença, e o impacto de sua personalidade fará com que todos sejam por ele orientados, assim como a grama pelo vento.
Seis na terceira posição significa: A contemplação de minha vida decide entre progresso ou retrocesso. Este é o ponto de transição. Aqui o homem já não olha mais para fora, para receber imagens limitadas e confusas, porém dirige a contemplação a si mesmo em busca de orientação para suas decisões. Essa introspeção representa a superação do egoísmo ingênuo daquele que vê a tudo de seu próprio ponto de vista. Ele começa a refletir e com isso se torna objetivo. Porém, o autoconhecimento não consiste em alguém se ocupar dos seus próprios pensamentos; é, isto sim, voltar-se para as conseqüências do que criou. É somente através dos efeitos resultantes de sua vida que uma pessoa pode julgar se o que realizou significa progresso ou retrocesso.

Nos fios tensos...



A doce espera que afina
Minhas intenções,
Apura minha ousadia,

Querer

Paz, Kama,
Harmonia,
Cantar para ti um dia

Solto pássaro,
Sem par...
E aguardar...

O Sol que me nasce
E organiza
A vida...

Nas malhas do tempo
Desfaz-se o imenso
Desejo de te tocar

- como se fora música,
Por dentro, vibrando
intenso o tom que

Colore o som
Que unifica a multidão...
Enredados que estão,

Entremeios vão se sucedendo
Visando a conclusão,
Que é um pouso,

Um descanso
Para a alma
A visão...